31 Agosto 2009

O Globo Perdido

Citado do Público:


O globo perdido de Schissler foi ao médico e quer ser tesouro nacional


Historiadores de ciência e conservadores de arte estão intrigados com um globo celeste do século XVI, assinado por um construtor de instrumentos científicos que trabalhou para Tycho Brahe, exposto no Palácio Nacional de Sintra desde a década de 40.

É uma raridade mundial que andava perdida, dizem os especialistas, baseados no pouco que já se sabe sobre a peça que já é candidata a tesouro nacional.

Para saberem mais acerca do globo até lhe fizeram uma TAC.


Inês Ferro, directora do Palácio Nacional de Sintra é conservadora há 26 anos. Mas nunca tinha visto um doente assim. "Tenho uma ideia de objectos submetidos a exames de química e de raios X. Mas TAC nunca tinha ouvido falar."

Um globo de cobre dourado, que não se sabe como, nem quando, chegou a Portugal, veio da casa-forte do Palácio das Necessidades para o Palácio Nacional de Sintra em 1941. Até que olhos mais atentos olharam para ele e constataram que se estava perante uma verdadeira raridade.


A consulta foi no dia 22 de Março. Levaram o globo de cobre ao colo até Lisboa, devidamente acondicionado, e colocaram-no, tal como um doente frágil, num aparelho de TAC, no Instituto Português de Oncologia, a um domingo.

"As imagens revelaram uma estrutura interna completamente metálica e suportada por um eixo central fixo, composta por 12 arcos aparafusados a duas calotes e unificados por um anel transversal, uma estrutura insólita que nenhum dos especialistas em globos previamente consultados tinha antecipado", descreve ao pormenor Samuel Gessner, historiador de ciência suíço, investigador do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia, especialista em instrumentos científicos.

Pensava-se que o interior do globo seria de madeira.


Do exame resultaram imagens típicas de uma TAC, onde é evidenciada a estrutura interna do globo, um esqueleto, parecido com uma esfera armilar. Uma imagem tão bonita que acabou por ser adaptada para símbolo do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia. "Foi uma emoção", confessa Inês Ferro.


O globo construído em 1575 por Christoph Schissler é uma raridade pelo seu tamanho, cerca de 22 centímetros de diâmetro, e pelas particularidades que apresenta, todo em cobre e talvez com douradura em amálgama de ouro.

Mas a constituição exacta da liga metálica também está a ser investigada pela equipa de Ana Mesquita e Carmo, física do Laboratório de Conservação e Restauro José de Figueiredo, do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), que participou no restauro da Custódia de Belém. No laboratório do IMC, o globo de Schissler foi já submetido a mais exames rigorosos, de fluorescência de raios X, para se apurar a sua verdadeira constituição.


Schissler era um dos construtores de instrumentos científicos mais famosos do cientificamente fervilhante século XVI.

São trocas de correspondência entre o astrónomo dinamarquês Tycho Brahe e Schissler, apesar de Brahe (com quem Kepler trabalhou) ter conhecidas a sua própria oficina. Desconhece-se, contudo, se da troca de correspondência chegou a resultar a construção de instrumentos por Schissler para Brahe.

"Mas sabemos que Tycho Brahe passou por Augsburgo em 1575", lembra Samuel Gessner sobre uma ténue pista que pode ligar o globo de Sintra a Tycho Brahe.


O astrónomo dinamarquês fez as mais precisas observações astronómicas da época e os seus dados ajudaram Kepler as construir as leis que desafiaram Aristóteles e Ptolomeu e ajudaram a retirar à Terra o estatuto de centro do Universo.

Este conceito, que marcou o Renascimento, já fora denunciado por Copérnico e depois acabou por ser confirmado pelas observações de Galileu, já no século XVII.

Saídos da oficina de Schissler, em Augsburgo, na actual Baviera alemã, existem hoje apenas dois globos: um deles, um globo terrestre, está no Observatório de Greenwich, em Londres; e outro, o seu par celeste (normalmente era sempre feito um par) pertence a uma colecção privada não identificada.

Mas são globos mais pequenos do que este exposto em Sintra.


Deste tamanho, Samuel Gessner diz que são conhecidos poucos. Um globo islâmico que está no museu Smithsonian de Washington e outro em Cracóvia, na Polónia. "Normalmente, os globos de metal eram mais pequenos", lembra Samuel Gessner.

Mas o facto de a família Fugger, banqueiros detentores do monopólio de minas de cobre, ser natural de Augsburgo, pode explicar o tamanho invulgar e a riqueza deste globo metálico. Há até registo de uma encomenda de um globo, de grandes proporções, em cobre, feita a Schissler pela coroa espanhola. "Mas esse seria apenas de cobre e maior. Provavelmente, não se trata do mesmo globo."

E está por apurar se este globo celeste também alguma vez teve um par terrestre.


Estácio dos Reis, comandante da Marinha, e também ele especialista em instrumentos científicos, já tinha escrito um artigo científico sobre este globo e sobre a sua importância.

Mas foi só em Setembro de 2008 que os olhares atentos de um grupo de especialistas do Comité de Instrumentos Científicos (SIC), reunidos num simpósio organizado pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, fizeram uma visita a Sintra propositadamente para ver este globo. E nem queriam acreditar no que encontraram.


Este globo, agora no centro das atenções, esteve durante anos na Sala das Pegas do Palácio Nacional de Sintra. Mas acabou por ser mudado para a Sala D. Sebastião, para ser visto mais de perto por causa dos relevos, lembra a directora do Palácio Nacional de Sintra.

Inês Ferro realça a beleza dos relevos quinhentistas do objecto, inspiradas nos gravuras de Dürer.

Foi na Sala D. Sebastião que os especialistas internacionais o observaram em Setembro do ano passado.


"É belíssimo. Foi inspirado num outro globo mais pequeno, celeste, impresso, de Caspar Vopelius, 40 anos mais antigo, que está em Colónia, na Alemanha", diz Gessner sobre outro globo quinhentista que o historiador tem estudado para uma análise comparativa.

Pega numa lupa, aproxima-se e acrescenta: "Pode ver-se a data e a assinatura do construtor", afirma olhando para a parte inferior do globo. "E o escudo da cidade de Augsburgo, para além de uma escala de brilho das estrelas, tal como Ptolomeu definia."


O desafio agora é reconstruir a história desta raridade: Inês Ferro diz que já se conseguiu excluir uma hipótese sobre a sua origem, que era a menos interessante de todas: "Havia uma hipótese de ter sido adquirido em leilão na década de 1930, quando se compraram várias peças para completar colecções de época, mas essa hipótese está afastada", diz, baseada no facto de já se saber que veio do depósito da família real, guardado no cofre-forte do Palácio das Necessidades, para Sintra em 1941.

"Não foi comprado."


O próximo passo será verificar se a peça está identificada nos arrolamentos dos bens dos palácios feitos pela República em 1910. "Também pode ter vindo para Portugal com D. Fernando II", diz sobre o rei consorte criado na Áustria, pai de D. Pedro V e casado com a rainha D. Maria II.

"Estamos a investigar." Mas se não se conseguir reconstituir a história perdida do globo a partir de Portugal, Samuel Gessner diz que se pode ainda tentar via Augsburgo: "Podemos começar a reconstituição ao contrário, talvez consultando as listas de encomendas feitas à casa Fugger".


Para já, Inês Ferro candidatou a peça ao estatuto de tesouro nacional, atribuído pelo Instituto dos Museus e da Conservação: "Candidatámos três peças do Palácio Nacional de Sintra, uma delas foi o globo".

27 Fevereiro 2009

7 Micróbios Que Matam

Estes fungos e bactérias não esmorecem facilmente e é a sua determinação que faz deles seres tão perigosos.

Os micróbios podem ser demasiado pequenos para serem vistos, mas não podemos deixar que o seu tamanho nos engane. Algumas bactérias e fungos são horríveis, causando mais de 100000 mortos anuais nos EUA. Para piorar as coisas, estes microrganismos tendem a sofrer mutações, tornando-se imunes às drogas e medicamentos que os cientistas criam para nos protegermos deles.

De acordo com a Infectious Diseases Society, os micróbios que se seguem são potencialmente letais e têm demonstrado a maior resistência a antibióticos e outras drogas.




Pseudomonas aeruginosa. Por raramente causar doenças em pessoas saudáveis e infectar maioritariamente indivíduos que estão já doentes ou imunocomprometidos (com o sistema imunitário enfraquecido), a P. aeruginosa é denominada um agente patogénico oportunista.
Esta bactéria perigosa e resistente a antibióticos atinge geralmente as suas vítimas através de equipamento médico, pele e comida, pelo que os doentes dos hospitais são o grupo com maior risco de infecção. E a infecção pode atacar em vários pontos do corpo, incluindo o coração, sangue, ossos e articulações, sistema nervoso central, olhos e ouvidos, tracto urinário, pulmões e pele.
Felizmente, a maior parte dos hospitais desenvolveram programas para a prevenção de infecções contraídas por doentes enquanto estão sob cuidado médico.

Klebsiella. Encontrada regularmente nos sistemas respiratório, intestinal e urogenital humanos, a Klebsiella é muito importante para o bom funcionamento intestinal. Quando viajam para fora destes territórios, as infecções são recorrentes e potencialmente letais.
De acordo com o CDC, as infecções causadas pela Klebsiella ocorrem frequentemente em pessoas imunocomprometidas e com doenças subjacentes, bem como em doentes internados em hospitais. Alguns dos mais frequentes contágios hospitalares causadas pela Klebsiella incluem infecções em suturas cirúrgicas e no sangue. Quando não tratadas a tempo, estas podem evoluir para septicemias e morte do doente. A transmissão destas infecções pode ser reduzida através de rituais de higiene cuidados e frequentes.

E. Coli. Encontrada frequentemente no intestino delgado de seres humanos e animais, a maior parte das estirpes de E. coli é inofensiva, mas outros tipos, como o O157:H7 podem levar a doenças graves, p.ex. a síndrome hemolítica urémica (cujo tratamento geralmente inclui transfusões de sangue e hemodiálise), especialmente em crianças pequenas, idosos e doentes imunocomprometidos.
Felizmente, as hipóteses de a O157:H7 ser transmitida podem ser reduzidas através da limpeza cuidadosa de frutos e vegetais, cozedura profunda de carnes e lavagem cuidadosa das mãos após utilizar a casa de banho.


Enterococcus faecium resistente à Vancomicina (ERV). As Enterococci são bactérias normalmente presentes nos intestinos humanos e no tracto genital feminino. Tipicamente não perigosas para pessoas com um sistema imunitário normal, algumas estirpes resistentes a antibióticos podem levar a infecções letais em doentes imunocomprometidos – especialmente os mais novos, os mais velhos e os mais doentes. Actualmente, os hospitais são as fontes mais comuns de infecções causadas por estas bactérias, pelo menos nos EUA.
Uma higiene cuidadosa é extremamente importante para evitar o contágio da ERV, especialmente em prestadores de cuidados de saúde. As autoridades recomendam a lavagem frequente das mãos com água e sabão, após ir à casa de banho, manipular objectos com sujidade ou preparar refeições.

Staphylococcus aureus resistente a antibióticos. São bactérias esféricas e altamente resistentes que colonizam a pele e narinas de cerca de 20 ou 30% da população mundial. Estas bactérias podem sobreviver na maior parte das superfícies durante um período considerável de tempo, especialmente em locais quentes e húmidos. O contágio dá-se normalmente através da pele e as bactérias são inofensivas até penetrarem na circulação sanguínea. Aí, podem causar infecções graves como a pneumonia, meningite ou septicemia.
O excesso de antibióticos levou ao surgimento de estirpes resistentes aos antibióticos, tais como o SARM (Staphlyococcous aureus resistente à meticilina), que pode ser tratado com vancomicina, embora recentemente tenham surgido também espécimes mais resistentes e menos afectados por esta droga. Para nos protegermos do SARM (ou MRSA na língua inglesa), que causa cerca de 19000 mortes por ano, devemos lavar as mãos frequentemente, tomar antibióticos com moderação, evitar a partilha de objectos que entrem em contacto com a pele e manter as feridas limpas e cobertas.


Aspergillus. Este fungo, que tem um papel crucial na decomposição de matéria orgânica, pode ser encontrado em qualquer lugar e, sendo assim, é inevitável entrar em contacto com ele. A maior parte destes fungos é inofensiva, mas para pessoas imunocomprometidas ou com doenças pulmonares, algumas espécies de Aspergillus podem causar aspergilose, uma série de infecções que podem ser letais.
Em cerca de 50 a 90% dos casos que envolvem aspergilose invasiva (a forma mais perigosa da doença), o resultado final é a morte do doente, especialmente se a patologia desenvolver resistência aos medicamentos e o doente sofrer de outras doenças, tais como SIDA ou cancro.
Felizmente, em 2005, cientistas britânicos conseguiram decifrar o código genético do Aspertillus, o que levou ao potencial desenvolvimento de tratamentos mais eficazes.

Acinetobacter baumannii. Por ser resistente aos antibióticos e sobreviver a temperaturas e níveis de PH muito variados, estas bactérias são uma ameaça séria em hospitais, onde a possibilidade de contágio é bastante alargada.
Tal como com o Aspergillus e o SARM, a A. Baumannii é especialmente perigosa para indivíduos que já se encontram doentes. Causadora de pneumonia, meningite e infecções no sangue e feridas, a taxa de mortalidade das consequências da sua infecção pode chegar aos 75%.
As infecções por A. baumannii são normalmente tratadas com polimixinas ou imipenem, um antibiótico que conta com crises convulsivas como potenciais efeitos secundários.

05 Fevereiro 2009

Criminosos nazis: Aribert Heim terá vivido e morrido no Cairo


Afinal, o "Dr. Morte" já não estava vivo – há vários anos. Aribert Heim, o médico austríaco que era um dos mais importantes criminosos nazis ainda procurado, terá morrido no Egipto aos 78 anos, segundo uma investigação da estação de televisão alemã ZDF e do jornal norte-americano "New York Times".
Os jornalistas tiveram acesso à certidão de óbito, que indicava que Heim morrera de cancro em 1992.

A morte de Heim tinha sido já anunciada – um antigo coronel israelita afirmara que o tinha morto nos anos 1980, uma afirmação que o Centro Simon Wiesenthal classificou como “pura fantasia” –, tinha mais tarde sido dada como provável, mas depois algumas pistas levaram investigadores do Centro Wiesenthal, que leva a cabo uma operação para deter os últimos criminosos nazis, a acreditar que Heim ainda estava vivo. Tratava-se de uma conta bancária em seu nome, com uma soma considerável, que a família não tinha reclamado.

Uma filha de Heim vive no Chile; achou-se que o "Dr. Morte" poderia estar na zona da Patagónia, já que a América do Sul foi usada por muitos criminosos nazis para refúgio: Adolf Eichmann, o responsável pelo transporte de judeus para campos de concentração, foi raptado por agentes israelitas em 1960 na Argentina; Josef Mengele, o “anjo da morte” conhecido pelas experiências que conduziu no campo de Auschwitz, passou grande parte da vida na Argentina e morreu no Brasil, Klaus Barbie foi extraditado da Bolívia para França.

Heim era o único criminoso nazi do mundo perseguido por uma task-force especial, uma unidade da polícia de Estugarda, dedicada apenas à recolha de informações sobre este caso: era o símbolo máximo para os “caçadores de nazis”. No site do Centro Wiesenthal lê-se ainda a recompensa: 310 mil euros, vindos dos governos alemão e austríaco e do próprio Centro Wiesenthal. O investigador do centro Efraim Zuroff – que ainda recentemente tinha estado na América Latina na peugada de Heim – reagiu em choque à notícia, dizendo que o centro se preparava para aumentar a sua parte na recompensa.

Experiências que testavam os limites da dor
O médico das SS trabalhou, no início da década de 1940, nos campos de concentração de Sachsenhausen, Buchenwald (na Alemanha) e Mauthausen (na Áustria), sendo que as suas mais terríveis experiências foram relatas no último.

Heim assassinou, segundo descrições de pessoas que estiveram em Mauthausen, centenas de pessoas testando os limites da dor, com experiências macabras, por exemplo, com injecções de substâncias como gasolina dadas directamente no coração, retirada de órgãos de pessoas saudáveis, ou operações sem anestesia.

Sabe-se que ficou com pelo menos um crânio de uma pessoa que assassinou como recordação, e conta-se que tinha o hábito de inspeccionar os dentes de quem pretendia assassinar para depois poder oferecer os crânios dos mortos.

Depois do fim da guerra, Heim foi encontrado pelas forças americanas em 1945, e ficou detido pelos militares dos EUA durante dois anos e meio. Mas não chegou a ser acusado por crimes de guerra.

O "Dr. Morte" exerceu como ginecologista depois de ser libertado em 1947, em Bad Nauheim e depois em Baden-Baden, na Alemanha. Em 1962 desapareceu, provavelmente alertado da iminente acusação pelas autoridades da Alemanha Ocidental.

Heim, ou Farid, um homem atlético convertido ao islão
Sabia-se que Heim tinha vivido desde então na Argentina, Uruguai, Espanha e também no Egipto – o Centro Wiesenthal afirma que se pensava até que tinha trabalhado como médico para a polícia egípcia.

Agora, o "New York Times" e a ZDF dizem que Heim se chamou, durante os seus anos no Egipto, Tarek Hussein Farid. Entre as particularidades do homem alto e atlético, que se convertera ao islão, estava uma caminhada diária pelas ruas do Cairo até à mesquita Al Azhar, e um grande interesse pela fotografia – embora fotografasse tudo o que via, nunca se deixava fotografar.

O "tio Tarek", como era conhecido pelos filhos dos amigos a quem costumava levar doces, vivia num hotel no Cairo. O "New York Times" conta que na investigação conjunta com a ZDF a família Duma, proprietária do hotel, teve durante anos guardada uma pasta com ficheiros desde testes médicos até finanças pessoais e documentos vários, e até um recorte de uma revista alemã sobre a operação que o tentava apanhar.

Entre os documentos encontrados no Cairo, estava uma carta que escrevera à revista alemã "Der Spiegel" dizendo que só não tinha sido apanhado pela polícia “por pura sorte” quando já viva no Egipto, comentado uma reportagem na revista publicada em 1979. “Não estava em casa”, dizia Heim na carta – que não se sabe se chegou a enviar à revista

Alguns documentos estavam em nome de Heim, outros de Farid, e um mostrava que Tarek Hussein Farid tinha nascido em Radkersburg, Áustria, no dia 28 de Junho de 1914, o mesmo local e data de nascimento do Dr. Morte.

Mas o próprio "New York Times" admite, no artigo sobre Heim, que o local onde foi enterrado continua a ser um mistério.

O filho, Rüdiger Heim, contou aos jornalistas que quis seguir o desejo do seu pai e doar o corpo à ciência, mas que isso seria difícil num país como o Egipto, onde as regras muçulmanas pedem um enterro rápido. Um dos membros da família Duma, que ficou íntima de Farid, queria enterrar o defunto no jazigo familiar.

Um dos membros da família Doma contou que ele e o filho de Heim subornaram um funcionário do hospital para ficar com o corpo, mas as autoridades descobriram e assim Farid, ou Heim, teria assim acabado por ser enterrado anonimamente, numa vala comum.

E assim, diz o "New York Times", apesar destas novas provas sobre a vida do "Dr. Morte", é impossível fechar definitivamente o seu caso.

04 Fevereiro 2009

Parecenças...

Papa Bento XXI e Uncle Fester (Família Adams)

Quando vi o Papa Bento XXI pela primeira vez, não conseguia deixar de pensar que ele me lembrava alguém.
Já tinha esquecido a ideia, mas vi a imagem do Uncle Fester e "plim", cá estão eles, lado a lado!
Reparem nas olheiras, o nariz, a boca as próprias orelhas e formato da cabeça...

Medo...

01 Fevereiro 2009

Criaturas Estranhas - O Tubarão Duende

O Tubarão Duende (Goblin Shark), com o nome científico de Mitsukurina Owstoni, é um animal solitário que vive no fundo dos oceanos, abaixo dos 250 metros de profundidade.
O espécime encontrado a maior profundidade estava a 1300m.
No entanto, não é grande a lista de Tubarões Duende encontrados com vida: só 45 casos se encontram documentados e cientificamente comprovados.
Pensa-se que esta espécie é uma das mais antigas espécies de tubarão existentes no mundo animal.



Tal como dito anteriormente, a maior parte dos espécimes são já encontrados sem vida.
Muitos dos Tubarões Duende foram encontrados nas águas do Japão, mas há relatos de espécimes apanhados junto à costa da África do Sul e vários locais ao longo do Oceano Pacífico. Menos casos foram documentados nas orlas costeiras da Austrália e Nova Zelândia.
Esta espécie habita também o Oceano Atlântico. Com efeito, foram encontrados espécimes junto do Golfo do México, perto da Guiana Francesa, no Golfo de Biscaia, junto do Arquipélago Madeirense e mesmo ao largo da costa Portuguesa.


O Tubarão Duende foi originalmente descrito em 1898 por Jordan, que lhe deu o nome de Mitsukurina Owstoni, após ter obtido um espécimen no Mar de Sagami, ao largo de Yokohama.

Estes tubarões podem atingir mais de 3m de comprimento e pesar mais de 150Kg. O seu corpo tem a forma típica (semi-fusiforme) de um tubarão, no entanto as suas barbatanas não são pontiagudas, mas sim de implante baixo e pontas arredondadas. As barbatanas anal e pélvica são bastante maiores que as dorsais.

A sua coloração rosa, única entre os tubarões, deve-se ao emaranhado de vasos sanguíneos sob uma pele semi-transparente e fina, que se lesiona facilmente. As barbatanas, por seu lado, têm uma aparência azulada.
Estes tubarões são desprovidos de membranas nictitantes (aquelas que, nos olhos, cerram horizontalmente, oferecendo protecção adicional).
Uma das suas principais características é também o seu longo nariz em forma de faca, provido de inúmeras células sensoriais. A sua boca é bastante grande, com dentes frontais compridos e em forma de agulha e outro conjunto de dentes, mais atrás, especialmente adaptados para destruir e esmagar.
O fígado do Tubarão Duende pode atingir cerca de 25% do seu peso corporal, facto que ainda não se encontra totalmente compreendido pela comunidade científica.



O Tubarão Duende tem uma alimentação variada, que vai desde lulas, caranguejos e peixes que habitam o fundo oceânico.
Sabe-se muito pouco acerca da história desta espécie, da sua vida e do seu ciclo reprodutivo, uma vez que os encontros com estes animais são extremamente raros. Apesar da sua raridade, não parecem existir ameaças contra a sobrevivência das suas populações, pelo que esta não foi ainda classificada como espécie em vias de extinção.


O primeiro Tubarão Duende encontrado foi apanhado por um pescador japonês em 1897, ao largo de Yokohama. O espécimen foi mais tarde identificado como um macho adulto.

Em 2003, mais de uma centena de Tubarões Duende foram apanhados na costa Noroeste de Taiwan, local onde nunca tinham sido avistados antes. De acordo com especialistas, este acontecimento deu-se logo após a ocorrência de um pequeno terramoto naquela área.

A Universidade Tokay conseguiu manter um Tubarão Duende em cativeiro durante uma semana, após a qual o espécimen veio a falecer.


A 25 de Janeiro de 2007 um Tubarão Duende de 1,3m de comprimento foi encontrado com vida na Baía de Tokyo, a cerca de 2o0m de profundidade. Foi levado para o Tokyo Sea Life Park e acomodado num dos seus aquários, mas faleceu dois dias depois, a 27 de Janeiro.

Tem graça, perdemos horas e energia a lembrar e relembrar toda a gente que a protecção das espécies é importantíssima, a condenar a pesca e caça desportiva, etc, etc... Mas quando encontramos um animal raro e quase pré-histórico, que sabemos, por experiências anteriores, que não sobrevive muito tempo fora do seu habitat natural, o que fazemos? Levamo-lo de volta para "o seu cantinho"? Naaah, vamos expô-lo num aquário, para toda a gente ver...

Bastante Victoriano, não?

19 Janeiro 2009

Lisboa acorda com campo de golfe nos Restauradores e baleia no Saldanha

"Lisboa acordou hoje com um cenário diferente, com cinco praças da capital decoradas com elementos alusivos aos Açores, no âmbito de uma campanha para publicitar o turismo do arquipélago.

Entre os dias 19 e 25 de Janeiro, vai haver vacas a pastar na Praça de Espanha, uma baleia a mergulhar no Saldanha, um campo de golfe nos Restauradores e hortenses na Praça de Entrecampos.

Nos últimos 10 anos, a oferta de turismo nos Açores cresceu 15% ao ano, enquanto a procura aumentou 6% ao ano, de acordo com dados fornecidos.

Actualmente o turismo nos Açores gera uma receita anual de 50 milhões de euros, valor que pode ser duplicado em três anos, apostando mais no valor e não tanto no volume, ou seja, fazendo com que cada turista gaste mais durante a sua estadia e não tanto centrar a acção em atrair um número muito maior de turistas.

Em 2007, o número de dormidas nos Açores totalizou 1,2 milhões, sendo a estadia média de cinco noites. A região mais procurada tem sido São Miguel.

A 22 de Janeiro será divulgado o novo plano estratégico para a região de turismo dos Açores."

14 Janeiro 2009

Mais uma: Irmão de Paulo Pedroso "papa" milhares ao ME

Segundo a notícia divulgada hoje pelo Público, "O Ministério da Educação rescindiu em Novembro, por “incumprimento definitivo”, o contrato que tinha com João Pedroso, antigo chefe de gabinete de Ferro Rodrigues e de António Guterres e membro da Comissão de Jurisdição do PS até Outubro.

Ora, tudo começou em Fevereiro de 2007, com a assinatura de um contrato que surge como prolongamento de um outro, de Setembro de 2005.
Com que intuito? Para proceder à elaboração de um “corpo unificado de regras jurídicas e de normativos harmonizados e sistematizados de direito da Educação a conseguir, durante o ano de 2007, preferencialmente durante a presidência portuguesa da União Europeia”.

Segundo a mesma fonte, "o custo total da prestação de serviços a efectuar até 31 de Dezembro de 2007 por João Pedroso ascendia a 266.200 euros (com IVA), a que acresciam os 45 mil (mais IVA) já pagos por conta do primeiro contrato a um grupo de trabalho (GT) coordenado por aquele jurista e constituído por dois colegas seus (António Landeira e José Vasconcelos Dias)".

Ora, e porque não ficou o trabalho concluído por este fantástico e altamente competente GT durante o primeiro contrato? João Pedroso, "que é também juiz de direito em licença sem vencimento desde 1990", indica na sua proposta de readjudicação que "a complexidade do trabalho, a sua natureza, a necessidade de financiamento adequado aconselham que a prossecução deste trabalho seja externalizada e adquirida em prestação de serviços a uma entidade que constitua uma equipa técnica com competências para realizar este trabalho" e propõe que "se considere, com a concordância do referido GT, desde já concluído o seu trabalho do referido GT".
Na referida proposta, João Pedroso salienta que “os membros do anterior GT têm uma especial aptidão técnica jurídica na área da educação resultante da elaboração do trabalho anterior, bem como os seus CV's, e que não existe no mercado tal aptidão” e propõe-se executar a “prestação dos serviços necessários para o desenvolvimento e conclusão dos trabalhos", pedindo por essa tarefa uns 220 mil euros, mais IVA. Trocos...

A proposta apresentada foi aceite por ajuste directo pelo Ministério da Educação, através da figura do seu Secretário-Geral, João Batista. No memorando de aprovação, a decisão é justificada com a seguinte afirmação: "Afigura-se-nos que a experiência profissional, o conhecimento profundo da administração pública e o domínio detido sobre a legislação da educação, bem como o facto de ter liderado a primeira fase deste projecto, conferem ao mestre em Direito João Pedroso as condições específicas únicas para a concretização do projecto".
Finalmente, "passado quase um ano sobre o prazo contratual, e considerando que “no máximo” tinham sido feitos 50 por cento das tarefas pagas, a secretaria-geral determinou em Novembro a restituição, em 12 prestações, por João Pedroso, de metade dos valores recebidos ao abrigo do segundo contrato, correspondente a 133.100 euros".

Ou seja, o gajo não fez nem metade das tarefas que lhe tinham sido incumbidas neste projecto, recebeu a primeira leva (relativa ao 1º contrato) e mais metade da segunda, como se tivesse cumprido 3/4 do projecto. E só passado este tempo todo é que deram conta que o tal GT não fazia nenhum?

Cunhas e irmandades, os Ex-Libris do Serviço Público em Portugal.

03 Janeiro 2009

(Nothing But) Flowers



Here we stand
Like an Adam and an Eve
Waterfalls
The Garden of Eden
Two fools in love
So beautiful and strong
The birds in the trees
Are smiling upon them
From the age of the dinosaurs
Cars have run on gasoline
Where, where have they gone?
Now, it's nothing but flowers

There was a factory
Now there are mountains and rivers
you got it, you got it

We caught a rattlesnake
Now we got something for dinner
we got it, we got it

There was a shopping mall
Now it's all covered with flowers
you've got it, you've got it

If this is paradise
I wish I had a lawnmower
you've got it, you've got it

Years ago
I was an angry young man
I'd pretend
That I was a billboard
Standing tall
By the side of the road
I fell in love
With a beautiful highway
This used to be real estate
Now it's only fields and trees
Where, where is the town
Now, it's nothing but flowers
The highways and cars
Were sacrificed for agriculture
I thought that we'd start over
But I guess I was wrong

Once there were parking lots
Now it's a peaceful oasis
you got it, you got it

This was a Pizza Hut
Now it's all covered with daisies
you got it, you got it

I miss the honky tonks,
Dairy Queens, and 7-Elevens
you got it, you got it

And as things fell apart
Nobody paid much attention
you got it, you got it

I dream of cherry pies,
Candy bars, and chocolate chip cookies
you got it, you got it

We used to microwave
Now we just eat nuts and berries
you got it, you got it

This was a discount store,
Now it's turned into a cornfield
you got it, you got it

Don't leave me stranded here
I can't get used to this lifestyle!

29 Outubro 2008

Like a Bridge Over Troubled Water



When youre weary, feeling small,
When tears are in your eyes, I will dry them all;
Im on your side. when times get rough
And friends just cant be found,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.

When youre down and out,
When youre on the street,
When evening falls so hard
I will comfort you.
Ill take your part.
When darkness comes
And pains is all around,
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.
Like a bridge over troubled water
I will lay me down.

Sail on silvergirl,
Sail on by.
Your time has come to shine.
All your dreams are on their way.
See how they shine.
If you need a friend
Im sailing right behind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.

22 Outubro 2008

As verdades medem-se ao verso...

Lá vem pelo avelar
O filho do Zé João
Vem do centro escolar
Cansado de palmilhar
A caminho da povoação

Não há médico na aldeia
E a antiga escola fechou
Não tem carne para a ceia
Nem petróleo para a candeia
Porque o dinheiro acabou

O seu pai foi para França
Trabalhar na construção
E a mãe desta criança
Trabalha na vizinhança
Lavando pratos e chão

Mas o puto vem contente
Com o Migalhães na mão
E passa por toda a gente
Em alegria aparente
De quem já sabe a lição

Um senhor muito invulgar
Que chegou com mais senhores
Veio para visitar
O novo centro escolar
E dar os computadores

E lá vem o Joãozinho
No seu contínuo vaivém
Calcorreando o caminho
Desesperando sozinho
À espera da sua mãe

Neste país de papões
A troco de dois vinténs
Agravam-se as disfunções
O rico ganha milhões
E o pobre Migalhães


O autor é-me desconhecido, mas esta obra prima foi-me enviada pela minha cara amiga Gisela.
Já agora, sem Magalhães, um "avelar" é um local onde se encontram árvores que dão avelãs...